Versículo do dia ·

O pecado que você mais ignora

"“O pecado que você mais ignora pode ser o bem que você não está fazendo.”"

Reflexão

Frase:

“O pecado que você mais ignora pode ser o bem que você não está fazendo.”

Verso:
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado.” — Tiago 4:17

Meditação:

É curioso pensar na maneira como entendemos o pecado. Quando ouvimos essa palavra, normalmente pensamos em alguma coisa errada que uma pessoa fez. Uma mentira, um roubo, uma traição, uma palavra que machucou alguém ou uma decisão que sabíamos que estava errada. E, claro, todas essas coisas podem ser pecado. Mas existe algo que a Bíblia ensina e que, sinceramente, me faz pensar bastante: não pecamos apenas quando fazemos aquilo que é errado. Também podemos pecar quando deixamos de fazer aquilo que sabemos que é certo. Tiago expressou isso de maneira muito clara: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tiago 4:17).

Não sei se você já parou para pensar na profundidade desse versículo. Porque é relativamente fácil olhar para o nosso dia e perguntar: “O que eu fiz de errado hoje?” Mas o que aconteceria se também começássemos a perguntar: “Que bem eu poderia ter feito hoje e escolhi não fazer?” Acredito que essa segunda pergunta pode nos incomodar muito mais do que imaginamos. Talvez hoje você não tenha dito nenhuma palavra ofensiva a alguém, mas também não disse aquela palavra de ânimo que sabia que a pessoa precisava ouvir. Talvez não tenha tratado mal seus pais, mas faz dias que pensa em ligar para eles e sempre encontra alguma coisa mais importante para fazer. Talvez não tenha machucado aquela pessoa que feriu você, mas sabe que existe uma conversa pendente e continua adiando por orgulho ou medo. Talvez não tenha tirado nada de ninguém, mas viu alguém precisando de ajuda, tinha condições de fazer alguma coisa e preferiu continuar cuidando dos seus próprios assuntos.

E o mais interessante é que muitas vezes essas decisões nem sequer nos fazem sentir tão culpados. Porque não fizemos nada. E esse é justamente o problema: não fizemos nada. Às vezes nossa consciência está tão acostumada a medir a vida pelas coisas erradas que evitamos que deixamos de prestar atenção às coisas boas que estamos deixando de fazer.

Existe uma história que Jesus contou e que me parece perfeita para compreender isso: a parábola do bom samaritano. Um homem havia sido assaltado, espancado e abandonado à beira do caminho. Depois passou um sacerdote. Ele viu o homem e seguiu adiante. Mais tarde passou um levita. Também o viu e continuou seu caminho. A Bíblia não diz que eles haviam espancado aquele homem. Não foram eles que o assaltaram, nem os responsáveis por deixá-lo ferido. Mas tiveram diante dos olhos uma oportunidade de fazer o bem e decidiram passar de longe. Depois chegou um samaritano. Ele também viu o homem, mas houve uma diferença: não apenas sentiu compaixão. Fez alguma coisa com ela. Aproximou-se, cuidou das feridas, levou o homem a um lugar seguro e providenciou para que recebesse os cuidados necessários (Lucas 10:30-35).

Enquanto penso nessa história, pergunto-me quantas vezes já fui como aqueles primeiros homens. Não porque quisesse machucar alguém, mas porque estava ocupado demais com minhas próprias coisas para parar e ajudar. Talvez estivesse com pressa, cansado, talvez tenha pensado que outra pessoa faria alguma coisa ou simplesmente não quisesse complicar minha vida. Porque fazer o bem também tem um custo. Às vezes custa tempo, outras vezes dinheiro. Pode exigir humildade, significar abrir mão do nosso conforto ou simplesmente prestar atenção em alguém que temos ignorado. Mas como é fácil encontrar uma justificativa para deixar tudo para depois. “Amanhã eu faço.” “Quando tiver mais tempo.” “Quando estiver de melhor humor.” “Quando aquela pessoa mudar.” “Quando tiver mais recursos.” E assim, sem perceber, começamos a acumular oportunidades perdidas de amar.

Existe algo que me chama muito a atenção nos ensinamentos de Jesus. Em Mateus 25, quando Ele fala sobre o juízo, menciona pessoas que tiveram fome, sede, estiveram doentes ou precisaram de companhia. E o que distingue os grupos não é apenas aquilo que fizeram de errado, mas também aquilo que fizeram ou deixaram de fazer por quem precisava de ajuda. Jesus estava ensinando que nosso relacionamento com Ele precisa se refletir na maneira como tratamos as pessoas. Porque a fé não consiste apenas em nos afastarmos do pecado. Também consiste em nos aproximarmos do bem.

E aqui quero ser sincero. Enquanto escrevo esta reflexão, não consigo deixar de pensar nas minhas próprias omissões. Nas pessoas que eu poderia ter ajudado, nas mensagens que deixei sem resposta, nas oportunidades de servir que deixei passar e nas palavras de carinho que poderia ter expressado, mas que, por algum motivo, guardei para mim. E me pergunto: “Qual é o bem que estou evitando fazer?” Talvez essa também seja uma pergunta que você precise fazer hoje.

Não para viver atormentado por cada oportunidade que não conseguiu aproveitar. Afinal, nenhum de nós pode resolver todas as necessidades do mundo. Temos limites, precisamos descansar e nem todo pedido que recebemos representa uma responsabilidade que Deus está colocando sobre nós. Mas podemos aprender a reconhecer aquelas situações em que sabemos que temos condições de fazer algo bom e, mesmo assim, escolhemos ignorar.

Talvez Deus não esteja pedindo hoje que você faça alguma coisa extraordinária. Talvez esteja apenas convidando você a prestar atenção em alguém que está perto. A dar aquele abraço, pedir perdão, oferecer ajuda, ouvir com paciência, visitar alguém que se sente sozinho ou ter aquela conversa que vem evitando, quando for possível fazê-lo de maneira saudável. Porque às vezes passamos tanto tempo perguntando a Deus quais grandes coisas Ele deseja que façamos que nos esquecemos das pequenas oportunidades de amor que já colocou diante de nós. E talvez a transformação de que precisamos não comece fazendo algo impressionante. Talvez comece quando deixamos de ignorar o bem que já sabemos que devemos fazer.

Para viver hoje

Desafio de hoje:
Antes de terminar este dia, faça a si mesmo uma pergunta: “Que coisa boa tenho adiado, mesmo sabendo que poderia fazê-la?” Identifique uma ação concreta e, se estiver ao seu alcance, faça hoje. Não espere que seja um gesto extraordinário. Às vezes uma ligação, uma conversa ou alguns minutos de atenção podem significar muito para alguém.

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